Quem me dera palavras.
Palavras secas, limpas, isentas de emoção.
Distanciar-me do que sou, não tocar em nada aqui que transmita alguma coisa de mim.
Ninguém atenta aos sentidos, não há motivos então.
Há em mim valor. Não existem, porém, vitrines.
Escondo-me em mim mesma.
Estão polidos todos os que me cercam. E assim, polidos, já não enxergam o que verdadeiramente são.
Quem somos nós, então?
Talvez o mundo inteiro pareça mais real e polido do que sou.
Em mim há somente o silêncio. O oculto. Aquilo que ninguém parou para se atentar.
E, de fato, não atentam.
Quem sabe se gritasse!
Mas mais uma vez há um silêncio gritante.
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