terça-feira, 8 de setembro de 2009

Egoismo

Há quem seja parte. Há quem não.
Não sou parte. Parece-me que nunca fui.
Parte de nada.
Simplesmente não sou parte.
Entrego-me sempre por inteira. E o inteiro nunca retorna.
Nem mesmo a parte que eu deveria ser.
E assim, parte da parte da parte da parte... talvez não sobreviva.
Quero ser toda inteira...
E acabo doando-me toda.
Mas não há todo que eu receba.
O que quero não quero só por querer.
Eu apenas não desisto do que quero. Não há, porém, quem não desista de mim.

Polido...

Quem me dera palavras.
Palavras secas, limpas, isentas de emoção.
Distanciar-me do que sou, não tocar em nada aqui que transmita alguma coisa de mim.
Ninguém atenta aos sentidos, não há motivos então.
Há em mim valor. Não existem, porém, vitrines.
Escondo-me em mim mesma.
Estão polidos todos os que me cercam. E assim, polidos, já não enxergam o que verdadeiramente são.
Quem somos nós, então?
Talvez o mundo inteiro pareça mais real e polido do que sou.
Em mim há somente o silêncio. O oculto. Aquilo que ninguém parou para se atentar.
E, de fato, não atentam.
Quem sabe se gritasse!
Mas mais uma vez há um silêncio gritante.